Facebook
Twitter
Twitter
Google +
Home  |   WebMail  |   Fale Conosco
Publicada: 30/08/2013 11:00:00-MT
Presidente do MST em Jaciara esclarece impasse com usina
Foto:

Após fazer o uso da tribuna livre na última sessão da câmara municipal de Jaciara, o Presidente do Movimento MST Associação da Vitória, Afonso João Silva procurou a redação do Portal Informe MT para fazer alguns esclarecimentos.

Afonso nos informou que o motivo do uso da tribuna da câmara, se deu ao fato do gerente da Usina Pantanal ter enviado aos vereadores do município, um ofício onde o mesmo relata que o local onde o movimento está assentado e produzindo seria uma área de risco.

Em seu discurso na tribuna, Afonso fez questão de mostrar que a realidade não é a que foi informada pelo gerente da usina, pelo contrário, todos sabem que a área não oferece nenhum risco aos assentados até porque naquela região não se usa queimar cana. “Para nós a área não representa perigo algum, não há nenhum princípio de acidente, a não ser que sejam provocados por alguém”.

Afonso nos informou ainda, que há alguns dias alguém colocou fogo no canavial nas proximidades do assentamento, e que os assentados informaram um funcionário da usina para que tomasse providências e o mesmo não manifestou nenhum interesse pelo ocorrido.

Outro ponto abordado pelo líder dos assentados é de que a usina jogou garapão às margens do rio que passa perto do acampamento, o que pode vir a prejudicar os trabalhadores, pois no assentamento há cerca de cem famílias que fazem o uso dessa água.

Para Afonso, com esse ofício, o gerente da usina tenta sensibilizar as autoridades e vereadores a acelerarem o processo de reintegração de posse que a usina move na justiça federal com início em 2013, após a ciência de que o movimento teria ingressado com outro processo ainda no ano de 2012, o qual trata do pedido de tutela de 1.500 hectares para os trabalhadores, e não da área total ocupada pela usina.

Sobre o andamento do processo movido pelo Movimento Associação da Vitória, em posse de alguns documentos, Afonso ressaltou que o processo tramita na justiça federal em Rondonópolis – MT, e que há inclusive um parecer favorável ao movimento e que aguardam que o ministério público federal se manifeste sobre a ação.

Por esse motivo, é muito importante para a associação que os próprios vereadores acompanhem o processo mesmo que a situação não venha de encontro com os interesses da usina. Outra questão revelada por Afonso é de que parte dessa área às vezes é usada para o plantio de soja, situação esta que talvez os proprietários da usina desconheçam. “Muitas vezes quem nem merece a terra está lá produzindo coisas que não são da agricultura familiar”.

O motivo da ação do movimento segundo ele, é que desta área ocupada pela usina, 8.200 hectares pertencem à União.

Afonso que está no movimento há dez anos, vê como positivo o uso da tribuna para esclarecer pontos que às vezes ficam no ar, já que para ele há alguns anos era mais difícil para os assentados se pronunciarem devido ao fato do grupo gerar empregos, e hoje fica mais fácil levantar a discussão para o problema, pois para ele a sociedade tem percebido que a empresa já não tem o mesmo compromisso que tinha no passado com o município.

Quanto à questão de riscos aos assentados, Afonso volta a afirmar que só mesmo alguém provocar uma alguma situação de risco, pois a área não oferece perigo algum, pelo contrário, a área tem um clima excelente, ótima umidade do ar, além da água do rio que também favorece os trabalhadores.

Para o líder dos assentados, a usina tem tentado de várias formas, forçar a saída dos trabalhadores da terra, com ações que muitas vezes não prejudicam somente os trabalhadores, mas também a natureza, pois além da degradação da área, a usina ainda joga garapa nas proximidades da nascente do rio, além de espalhar boatos aos funcionários de que os mesmos perderão o emprego caso a justiça determine a posse da área ao movimento.

Afonso também nos informou da existência de um vídeo que comprova que funcionários da própria usina têm jogado garapa em um local onde a mesma vai cair dentro do rio Amaral, e que dentre outras situações criadas pela usina está a queima de um canavial onde o fogo acabou queimando uma reserva ambiental, para com isso tentar passar para a sociedade que o fogo teria sido colocado pelos assentados da área, na tentativa de pressioná-los a desocupar o local.

Afonso falou ainda, que falta empenho do poder público para resolver essa questão dos assentados. “Se as autoridades se empenhassem em favor dos trabalhadores um terço do que se empenham para manter de pé essa usina falida, onde meia dúzia de pessoas tira proveito, isto já teria sido resolvido. Não é segredo pra Jaciara as situações ilegais que envolvem esta usina, uma empresa onde todo mundo tira e pouco entra”.

Continuando, Afonso foi categórico em informar que o movimento Associação da Vitória sempre atuou de forma pacífica, e que tem e terá paciência para esperar que a situação seja resolvida dentro da lei, que o movimento não participa de ações ilícitas, pois segundo ele não traria resultados positivos para o grupo de assentados.

“Nós temos o entendimento de que devemos buscar apoio junto à sociedade, e cobrar da justiça a legalização da posse da terra que é patrimônio da União”.

Quanto à questão da reforma agrária Afonso acredita que o governo Lula tentou colocar em prática a proposta devido ao fato do ex-presidente ter um perfil comunitário, mas acabou não conseguiu devido a alguns oportunistas contra a reforma agrária que entraram em seu governo.

Para finalizar Afonso agradeceu à redação pelo espaço cedido e ressaltou a seriedade do trabalho do Portal Informe MT, o que para ele é muito importante para Jaciara, pois tem favorecido em muito o acesso à informação com credibilidade.

Segue abaixo a cópia de alguns documentos.

 

Fonte: Redação Informe MT



PUBLICIDADE