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Publicada: 19/03/2018 11:27:51-MT
Empresário diz que irmão de Silval exigiu participar de lucro para contrato continuar
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Alvo da Operação Bereré, o empresário Marcelo da Costa e Silva afirma que o irmão do ex-governador Silval Barbosa (sem partido), Antonio Barbosa, e Wanderley Fachetti Torres, proprietário da Trimec, exigiram o pagamento de propina para que o governo mantivesse contrato da empresa FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda. - atual EIG Mercados Ltda – com o Detran.

 

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 Trecho do documento mostra negociação entre Antônio Barbosa e empresário Wanderley Fachetti

O relato foi feito aos delegados Márcio Moreno Veras e Alexandra Fachone, da Defaz, em 20 de fevereiro, um dia após a deflagração da operação que investiga esquema que teria desviado mais de R$ 27 milhões dos cofres estaduais, por meio de direcionamento de licitação e pagamento de propina na autarquia.

O depoimento de Marcelo mostra outra versão do fato de que Silval também teria se beneficiado do esquema, enquanto governador. O empresário é ligado a Santos Treinamento, apontada pelo MPE como empresa fantasma, que teria sido contratada pela FDL para operacionalizar o esquema de lavagem de dinheiro público.

O empresário declara que, em 2009, colaborou para que a FDL e Santos fossem contratadas para prestarem os serviços de gravame ao Detran, já que tinha conhecimento sobre tecnologia da informação.

De acordo com Marcelo, em 2011 ele foi procurado por Antonio e Wanderley em seu escritório, na Capital. No encontro, os dois teriam exigido a participação de Silval nos lucros do contrato com o Detran. Caso tal participação não fosse efetivada, eles dariam um jeito de suspender a realização dos serviços.

O depoente declara que Toninho e Wanderley exigiram o repasse do montante de 25% a 30% do valor mensal do contrato. Para que a propina fosse paga, seria necessário colocar o filho de Wanderley, Rafael Yamada Torres, no quadro societário da Santos Treinamento.

Marcelo diz que na reunião explicou que o responsável pela gestão da empresa era Claudemir Pereira dos Santos (sócio da Santos) e José Ferreira Gonçalves Neto (sócio da FDL).

Conforme o depoimento, um mês após a conversa, Claudemir lhe procurou já com o contrato com as alterações sociais incluindo Rafael, para que o irmão de Marcelo, o advogado Antônio Eduardo da Costa e Silva (sócio da Santos), assinasse.

As declarações de Marcelo corroboram com a teoria adotada pelo presidente da Assembleia Eduardo Botelho (sem partido), que foi sócio da Santos por um período e é apontado como um dos líderes do esquema.

À imprensa, o parlamentar confirmou o pagamento de propina a Silval e disse que os intermediários da ilegalidade seriam o irmão do ex-governador e o filho do empresário Wanderley da Trimec.

Versão diferente

O depoimento de Marcelo, no entanto, rebate as declarações de Antônio Barbosa qu,e em acordo de colaboração premiada (delação) firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), disse que ele foi procurado pelo empresário. A delação colaborou para a deflagração da operação.

Conforme Antônio, em 2011, foi procurado por Marcelo, que representava o então deputado federal Pedro Henry. O emissário do parlamentar lhe informou a respeito da existência do contrato entre o Detran e a FDL, assim como, deixou uma reunião agendada entre eles.

No encontro na casa de Henry, Antônio declara que o ex-parlamentar teria atestado que a empresa pagava propina para autoridades estaduais, na garantia de manter contrato com o Detran. Ainda na conversa, ficou tratado que parte da propina seria repassada a Silval, para que o contrato fosse mantido.

Antônio diz que assim que aceitou receber os valores, obteve no primeiro mês a importância de R$ 100 mil. O repasse teria se repetido mais de uma vez no mês seguinte. A partir de então, indicou Rafael Yamada Torres – também delator - para ser sócio da Santos e receber os valores em nome do ex-governador. Conforme a delação, os valores passaram a girar em torno de R$ 80 mil mensais.

 

Fonte: RD News



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