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Publicada: 30/01/2018 10:12:15-MT    -    Atualizada: 30/01/2018 10:15:41-MT
Antropologia da performance
Foto: Olga Borges Lustosa é socióloga

Lula exalava carisma na última vez que o vi, resquício de quem deixou o governo com índice de aprovação e popularidade em torno de 87%.

Eu conheci o ex-presidente Lula pessoalmente e o acompanhei em quatro oportunidades em que ele esteve em Mato Grosso e em outra data junto com grupo decerimonialistas do Comitê Nacional, fui recebida por ele no Palácio do Planalto, ao término de um curso sobre Cerimonial Público e as Relações Federativas.

Eu mal havia assumido o cerimonial do governo quando tive que preparar a primeira vinda de Lula ao estado de Mato Grosso. Possivelmente começamos as articulações 02 ou 03 semanas antes e dia 06 de junho de 2003 Lula chegou cedo ao aeroporto Maestro Marinho, em Rondonópolis. Seguido de um comboio impressionante, deslocou-se até o Jardim Ana Carla e fez o lançamento dos programas Fome Zero e Fome Zero Empresarial, diante de uma multidão absolutamente diversa e seduzida. De Rondonópolis, Lula seguiu de helicóptero para Alto Taquarí, de onde de trem, embarcou para Alto Araguaia, para inaugurar apressadamente o terminal ferroviário da Ferronorte.

Em agosto de 2005 o ex-presidente Lula veio a Cuiabá para inauguração de Linhas de Transmissão da Amazônia-Eletronorte, empresa que era formada também pela Bimetal, do ex-prefeito Mauro Mendes, a pedido de quem, cuidei pessoalmente da visita do ex-presidente. Do aeroporto Marechal Rondon direto para o Coxipó, Lula, bem-humorado, misturou-se aos funcionários da empresa, posou para fotos, discursou para empresários do setor, despediu-se afetuosamente de todos e meu abraço foi fotografado por Ricardo Stuckert.

No ano seguinte, novembro de 2006, Lula esteve em Barra do Bugres para inaugurar a primeira planta de biodiesel integrada a uma usina de álcool do país, um empreendimento milionário da Barralcool, do ex-deputado Renê Barbour.

Já fora da presidência da República e considerado a maior liderança do Partido dos Trabalhadores, Lula veio em Cuiabá dia 24 de outubro de 2012, para reforçar o segundo turno da campanha de Lúdio Cabra. O ex-presidente estava espremido em compromissos no Nordeste e teria que vir de um comício em Salvador para o comício de Cuiabá. Eu auxiliava na coordenação da agenda e já tinha construído relacionamento com o ex-ministro Gilberto Carvalho e Paulo Frateschi, que influenciavam o fechamento da agenda de Lula.

Desde o aeroporto, Lula foi cercado por uma multidão. No meio do trajeto entre o aeroporto e a Praça das Bandeiras, pediu ao motorista que parasse o carro. Caminhou pela Avenida da Prainha até o pátio de um posto de combustível, onde cumprimentou um a um dos incrédulos frentistas.

“O povo entende o que está acontecendo com o ex-presidente, deixando escapar apenas os meandros jurídicos do processo; entende inclusive que a condenação pelo TRF-4 não encerra definitivamente o futuro de Lula”

Na Praça, comandou um comício à moda antiga, pediu para tocar o jingle, discursou gesticulando e andando de lado para outro. Eu olhando-o em corpo, gestos e palavras memorei o encontro teórico de Victor Turner, antropólogo britânico e Richard Schechner, professor de Estudos sobre Performance da Universidade de Nova Iorque. Este encontro originou um campo de estudos chamado Antropologia da Performance, que abre permissão ao uso de rituais performáticos; uma linguagem estruturada na forma de movimentos corporais e sons para problematizaras interações entre os dramas sociais e a política. Eu o acompanhei até o aeroporto, um abraço e Ricardo Stuckert, fez a segunda foto.

O povo entende o que está acontecendo com o ex-presidente, deixando escapar apenas os meandros jurídicos do processo; entende inclusive que a condenação pelo TRF-4 não encerra definitivamente o futuro de Lula, lançando-o imediatamente na prisão ou tornando-o desde já inelegível e fora da campanha eleitoral de 2018. O julgamento foi o ponto de partida para uma série de desdobramentos previsíveis e de curto prazo sob o ponto de vista jurídico de uns e segundo outros, podem arrastar-se até 15 de agosto próximo, data limite para o registro de candidaturas.

Não entro no mérito da peça jurídica, não sou advogada. Do ex-presidente Lula guardo lembranças, irretocáveis, através dos anos!

Olga Borges Lustosa é socióloga, cerimonialista pública e escreve exclusivamente neste Blog toda terça-feira - olgaborgeslustosa@gmail.com e www.olgalustosa.com

 

Fonte: RD News



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